O Brasil gasta 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) com os males das substâncias psicoativas. Ou seja, cerca de R$ 50 bilhões são queimados por ano. O cigarro e o álcool estão no topo, com mais de 70% do total. É mais do que o dobro do orçamento anual do País com saúde pública, estimado em R$ 22 bilhões.
Além dos gastos com saúde, o governo federal brasileiro contabiliza a concessão de aposentadorias precoces, pensões para viúvas e órfãos do tabaco, morte de pessoas na idade produtiva - muitas em sua melhor fase de formação profissional, incêndios, degradação do meio ambiente.
Mais de 35% das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são decorrentes de doenças provocadas pelo cigarro. Cerca de 200 mil pessoas morrem por ano no Brasil devido ao tabagismo: um brasileiro a cada cinco minutos. No mundo, o cigarro é a maior causa de morte prematura; uma pessoa a cada oito segundos.
Quem faz o alerta para os males do cigarro é o médico Elson da Silva Lima, coordenador do programa Viva Mais, da Unicamp. “Ao reduzirmos o uso do tabaco em 50% dos fumantes, cairá em 50% o número de óbitos de adultos por doenças cardiovasculares, cânceres e doenças respiratórias. O cigarro tem um custo social muito alto”, analisa.
E ainda tem o custo individual. Uma pessoa que fuma dois maços de cigarro por dia compraria, com o dinheiro que gasta no vício, uma TV 29 polegadas a cada nove meses. Em dez anos, um carro zero ou daria entrada na casa própria, segundo dados de Lima.
O mundo tem 1,3 bilhão de fumantes. No Brasil são 30 milhões: 60% homens, 80% desejam parar de fumar. Dos que se prontificam a largar o vício, 20% conseguem.
Especialistas catalogaram cerca de 50 doenças que incidem mais sobre fumantes, sendo que 40% deles são acometidos, em alguma fase da vida,por pelo menos uma delas. Entretanto, o fato dos efeitos nocivos mais graves do cigarro não aparecerem de imediato, levam de 20 a 30 anos, complica o trabalho dos médicos e do Ministério da Saúde.
Nem por isso se desiste. As propagandas de cigarro já foram abolidas. Atualmente, tramita no Senado, proposta que restringe a agricultura do tabaco no Brasil. A Lei Federal 9.294 de 1996, complementada pela Lei 10.167, de 2000, proíbe fumar em locais coletivos privados ou públicos. Em contraponto, nosso país é um dos três maiores exportadores de folha de tabaco.
Outro auxílio importante é o dos fumantes passivos. Está comprovado cientificamente que conviver com um fumante pode representar que ao final do dia essa pessoa tenha respirado a fumaça de dez cigarros. Um estudo concluído no mês passado pela Universidade de São Paulo (USP) encontrou várias substâncias do cigarro, inclusive nicotina, no sangue de crianças com idade entre 4 e 6 anos. Todas filhas de fumantes. (S.C.)