Ano 1- Nº 14 - Janeiro - Campinas, Quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

O sentido da coerência política
Mauro Ribeiro


JOEDSON ALVES/AE
Acho formidável, no sentido cômico do conceito, reclamarem coerência do presidente da República. Dito de outra maneira: acusarem- no de incoerência. Queriam o que? Que Lula subisse num tamborete, como fazia nos tempos de líder sindical, e incitasse a população a fazer greves? Ou, supremo delírio, decretasse a moratória da dívida pública, interna e externa?

O primeiro compromisso de um chefe de governo é com a prosperidade nacional e, por decorrência, com a melhoria da vida da sociedade. As opções que escolheu para atingir esse objetivo só importam na medida do seu êxito, e até aqui os resultados se revelam positivos. Não, não é o Nirvana sonhado, nem o será no curto prazo, mas a postura presidencial demonstra uma qualidade indispensável num governante: a responsabilidade.

O atual governo tem falhas gritantes; deficiências quase absurdas, e, por vezes, espasmos de idiotia. No essencial, contudo, demonstra coragem poucas vezes vista na história recente do País. Um exemplo? A determinação de arrumar a casa, a começar das finanças públicas, para desespero da turma da gastança, dos “desenvolvimentistas” a qualquer preço, mesmo sob o custo criminoso da inflação.

Se querem centrar a discussão no tema da coerência, o presidente está alinhado com o pensamento das grandes liderenças mundiais. Tome-se o exemplo da União Européia, que faz do controle do déficit fiscal sua bandeira fundamental, exatamente por estar convencida de que o progresso sustentado, sistemático e duradouro só é atingível por esse procedimento.

Incoerente é quem briga com os fatos do momento presente, apegando-se a posições pretéritas, algumas delas em caráter circunstancial da vida política.

O restante é esperneio, de um lado, da turma favorável aos cofres públicos escancarados; do outro, do pessoal incapaz de renovar idéias e posturas.



Publicado em 17 de dezembro de 2004







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