Ano 1- Nº 14 - Janeiro - Campinas, Quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Profissão: cupido
EDUARDO MATTOS


Cláudya na A2 Encontros: cupido desde os 13 anos, casando suas bonecas
CHRISTIANO MAZZOLA
Cupido, o deus romano do amor, mantém ainda hoje a fama de semear a paixão entre homens e mulheres. Filho de Mercúrio, o mensageiro dos deuses, e Vênus, a deusa do amor, desde o Império Romano o deus alado que empunha o arco e a flecha simboliza a paixão.

Se cupido fosse gente, não seria de espantar que tivesse a aparência da campineira Cláudya Toledo, uma exuberante loira de 38 anos, 1,78m. e 68kg que se tornou, ao longo dos últimos 11 anos, uma das maiores casamenteiras do Brasil – promoveu, com o marido Márcio Simões, mais de 600 casamentos por meio da A2 Encontros, agência que nasceu em Campinas e hoje está em mais quatro cidades brasileiras. Toda a experiência de Cláudya, que começou a fazer casamentos ainda criança, com suas bonecas, está agora reunida em Manual da Cara-Metade – Encontre a Sua e Seja Feliz, lançado pela Editora Globo.

Cláudya, ex-modelo que trabalhou durante três anos na Europa, é escritora de primeira viagem. Foi encorajada a contar as histórias que conhece e as dicas que acumulou unindo pessoas pelo jornalista Alexandre Mansur, da revista Época, um velho conhecido que levou alguns meses para convencêla a escrever um livro. Ela confessa sua ingen u i d a d e i n i c i a l : achou que fosse só jogar nas mãos dos editores os calhamaços de dados estatísticos que reuniu. “Estava errada. Tive que aprender a escrever e quem me ajudou foi Ricardo Lísias (escritor), indicado pela editora”, conta ela, que em sua iniciação teve até mesmo que promover uma alteração de nome: o Cláudia Renata Toledo Simões virou apenas Cláudya Toledo. A troca de letras no primeiro nome se deu por sugestão de um numerólogo, “para compensar a supressão de outros dois nomes sem perder a força”.

Manual da Cara-Metade, que sai com tiragem inicial de 6 mil exemplares, tem texto leve e bem-humorado. Cláudya divide o livro em oito capítulos, dedicados a esmiuçar cada fase da relação entre homens e mulheres, desde a paquera, passando pelo encontro até a manutenção da estabilidade de um casamento. Pretende ser um guia para quem está à procura de parceiro. “Quero pegar esta pessoa pela mão e levá-la até depois do casamento, ensinando a manter a relação”, diz a autora. “Há guias deste tipo publicados na Europa e Estados Unidos”, diz ela, “mas o meu foi feito com base no perfil de brasileiros”.

Em cada capítulo, histórias vividas por ela em sua agência temperam a variada e extensa relação de dicas de comportamento, estatísticas e textos para reflexão. As histórias de cada capítulo são marcadas por pequenos ícones, desenhos com os quais a autora pretende exemplificar conceitos que apresenta no início do livro.

Cláudya, que descobriu a vocação para cupido por orientação de um consultor de franquias, quando procurava um negócio para investir, se diverte ao lembrar da situação que viveu ao aceitar ser madrinha de casamento de um dos primeiros casais que uniu, Edson Carvalho e Sônia Cremoni, ambos de Campinas. Já na igreja, desconfortáveis com o fato de serem absolutamente estranhos aos outros padrinhos, contaram histórias diferentes sobre o que faziam. “Muitas pessoas naquela época, e algumas ainda hoje, têm preconceito com as agências de matrimônio e procuramos esconder da família e amigos deles”, conta. Antes que a festa acabasse, porém, a noiva revelou a identidade dos estranhos padrinhos. “Na segunda-feira seguinte parentes solteiras dela correram para a agência em busca de parceiro”, lembra.

Entre as histórias que Cláudya conta em Manual da Cara-Metade, uma é tratada de maneira especial. É a de Armínio, um senhor de 61 anos que se empenhou na busca de uma parceira um ano após a morte da primeira esposa. Dizia que sempre foi um homem feliz e que acabaria morrendo caso continuasse solitário. A sua dedicação ao jogo da conquista da mulher eleita foi tanta que um dos rituais que usou virou referência para a autora. No dia em que ela foi conhecer a casa onde ele morava, em uma cidade da Região Metropolitana de Campinas, forrou todo o chão com pétalas de flores para recebê-la. “Moram naquela casa até hoje”, lembra.

A literatura já fazia parte da vida de Cláudya desde 1991. Coincidência ou não, foi um livro que serviu de cupido para ela e o marido Marcio, que conheceu pedindo carona do Litoral Norte para São Paulo e com quem tem dois filhos. Ambos estavam lendo, naquela ocasião, Diário de um Mago, de Paulo Coelho. Dá troca de impressões sobre o livro, a cupido Cláudya foi atingida pelo cupido.



Publicado em 17 de dezembro de 2004







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