Palanque de campanha dá solução para todos os problemas da administração pública. Mas na prática, a teoria é outra. O discurso tem de conviver com dívidas, orçamentos curtos, necessidades amplas e reivindicações que só aumentam dia a dia. A população acompanha com ansiedade os primeiros movimentos de cada administração, que precisa se localizar, encontrar cada gaveta, conviver com estruturas de servidores com práticas de governos passados. É preciso adequá-las às novas orientações ou mantê- las, melhorá-las, reformá-las, mesmo onde os prefeitos foram reeleitos.
Em Americana, o prefeito reeleito Erich Hetzel Júnior (PDT) considera um desafio cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, explica, “vamos levantar as reivindicações da população por meio de audiências públicas itinerantes e atendê-las de forma planejada”. Hetzel tem como meta atingir 100% do tratamento de esgoto coletado – hoje são 80% –, ampliar e modernizar o sistema viário e implantar seis novos parques no município.
O novo prefeito de Indaiatuba, José Onério da Silva (PDT), considera que as principais dificuldades envolvem as necessidades de segurança, habitação e desenvolvimento social. Quer, portanto, ampliar a Guarda Municipal e investir em tecnologia, como o monitoramento nas entradas da cidade com câmaras. Fará ainda conjuntos habitacionais populares. “Na área social, entre outras ações, vamos implantar o Programa de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente e construir o Centro de Convivência e Atendimento ao Idoso”.
O prefeito de Itatiba, José Roberto Fumach (PMDB), reeleito como o de Americana, lembra igualmente o desafio de equacionar receitas e despesas, de acordo com a lei. “Temos hoje 100% das crianças em sala de aula; 34% da população é atendida pelo Programa Saúde da Família; temos uma Santa Casa que é referência nacional no Sistema Único de Saúde (SUS); implantamos um Programa de Educação Inclusiva”, exemplifica. Sua meta é continuar buscando progresso na prestação dos serviços públicos, na qualidade de vida e nas ações administrativas. “Precisamos tornar nossa cidade cada vez mais atrativa para recebermos novos investimentos”.
Outro reeleito, o prefeito de Jaguariúna, Tarcísio Chiavegato (PTB), vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas, quer atingir 100% de tratamento de esgoto (50% atualmente), além de trocar 35 quilômetros de rede de água da zona urbana do município, que conta com uma tubulação antiga. Pretende, ainda, construir três conjuntos habitacionais. Um dos seus objetivos para melhorar o município é transformá-lo em Estância Turística e, assim, ter os recursos específicos desta classificação. Jaguariúna já faz parte do Consórcio Intermunicipal do Pólo Turístico do Circuito das Águas, integrado também por Pedreira, Amparo, Lindóia, Socorro e Serra Negra.
O novo prefeito de Valinhos, Marcos José da Silva (PMDB), que já exerceu o cargo no passado, diz que herdou uma dívida consolidada de R$ 169 milhões e flutuante de cerca de R$ 10 milhões. “Faltam remédios, médicos, a espera para consultas é de meses e a Santa Casa enfrenta uma grave crise. O aterro sanitário municipal foi fechado pela Cetesb – organismo de saneamento ambiental do Governo do Estado – em dezembro de 2004 e o lixo vai para um aterro particular de Paulínia”. Assim, para o lixo, buscará solução em conjunto com os outros municípios da RMC. “No começo, por falta de verba, não faremos grandes obras. Vamos cuidar das pequenas coisas, que realmente ajudem a população. Faremos ainda uma política forte, para sermos mais lembrados pelos governos estadual e federal”, destacou.
O prefeito de Vinhedo, João Carlos Donato (PL), o Kalu, também reclama que recebeu o município em situação financeira desfavorável. Mesmo assim, fará uma reforma administrativa – já em curso –, construirá a segunda Estação de Tratamento de Esgoto e, em saúde, pretende fazer parceria com os vizinhos Valinhos e Louveira para a compra de equipamentos e instalação de uma Unidade de Tratamento Intensivo Infantil. “Planejamos concretizar para Vinhedo, o que ela hoje tem como slogan de marketing: capital da qualidade de vida do Estado”.