Ano 1- Nº 4 - Campinas, Segunda-feira, 19 de abril de 2004

Violência e ações positivas


Espanta e entristece a informação de que a violência chega a reduzir a expectativa de vida nas grandes cidades, como aquelas que integram as regiões metropolitanas. O que se passa no Rio de Janeiro, na Rocinha, é de estarrecer. Uma guerra. Só confirma os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nos últimos dias: os homicídios cresceram 130% em 20 anos; as mortes por armas de fogo dobraram na década de 90.

Pode-se afirmar que o Estado abriu mão de várias funções para dar garantia à população, há anos, tornando difícil a reversão de tal quadro e permitindo o aparecimento de propostas absurdas, como a construção de um muro – ou cerca, ou grade – em volta da Rocinha, onde vivem milhares de vítimas da violência, submetidas aos traficantes, donos de armas poderosas.

Neste Paiol de Pólvora, como nota o colunista Mauro Ribeiro, o Brasil talvez seja o único lugar do planeta onde armas voam e aterrissam secretamente, em razão de buracos enormes na fiscalização de fronteiras, nos portos e aeroportos.

No mundo, ampliam-se o conflito e as mortes de militares e civis no Iraque em chamas, tema de reportagem com o coronel da reserva Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas.

A MUITO+ traz uma ampla entrevista com o secretário dos Negócios Metropolitanos do Estado, Jurandir Fernandes, um conhecedor de Campinas e região. Ele pede maior participação da elite na busca de solução dos problemas da nossa sociedade e responde, por exemplo, a questões sobre perueiros, multas e pedágios. A contribuição da elite, representada nos diferentes campos de atividade, é essencial para a evolução e desenvolvimento do nosso País, concordamos.

Outra reportagem mostra também que apenas os deputados federais José Aristodemo Pinotti e Luciano Zica, entre os sete eleitos pela Região Metropolitana de Campinas, integram uma elite do Congresso Nacional. Destacam-se, cada um do seu modo, como parlamentares influentes nas decisões de Brasília, conforme listagem elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

Esta edição tem espaço para a leveza, o bom-humor e a esperança, que impulsiona ações positivas. Desde buchas para o país de Bush, os Estados Unidos, ao turismo da Holanda, terra de Gouda, a cidade do queijo, onde se deve levar capa ou guarda-chuva. Tem MUITO+: os papos-de-anjo amados pelo diplomata, poeta, compositor, cantor e boêmio, o admirável e saudoso Vinícius de Moraes; a 18a Bienal do Livro, aberta em São Paulo; e o já difundido hábito, especialmente entre os jovens, de colocar na Internet endereços eletrônicos como o mote principal de “Eu odeio...” (e sofra ou ria o escolhido).

Tem ainda nosso destaque de capa, sobre os malls, shoppings de conveniência que recebem diariamente uma multidão por suas atrações. Entre elas, aparece dentro deles a sensação de segurança. Neste universo de diversidade, vale lembrar que a participação de cada um e de todos, por um mundo melhor, é uma tarefa diária, permanente, constante. Há muitas motivações. A pesquisa do IBGE, que revela a violência brasileira e os efeitos corrosivos da concentração de renda, mostra igualmente que a mortalidade infantil caiu mais de um terço desde 1992, o número de analfabetos diminuiu e aumentou o número de brasileiros com idade superior a 60 anos.



Publicado em 19 de abril de 2004







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