A batalha pelo exercício da influência é uma das mais importantes atividades legislativas. Há deputados e senadores, na história do Congresso brasileiro, que marcaram época como formadores de opinião. Foi assim, por exemplo, com Ulysses Guimarães, o deputado de 11 mandatos consecutivos, que morreu em um acidente aéreo em outubro de 1992. Dr. Ulysses, como era conhecido pelos colegas de plenário, se tornou respeitado menos pelos projetos que transformou em lei que pela influência que exercia até mesmo entre deputados de outros partidos.
Fosse vivo hoje, dr. Ulysses certamente estaria na lista feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que anualmente indica os 100 deputados e senadores mais influentes do Congresso – ela só passou a ser publicada dois anos após a sua morte.
É o grupo que pode ser considerado a elite do legislativo brasileiro e do qual fazem parte apenas dois dos sete deputados federais eleitos pela Região Metropolitana de Campinas (RMC): José Aristodemo Pinotti (PFL) e Luciano Zica (PT).
O estudo, coordenado pelo jornalista e diretor do Diap, Antonio Augusto de Queiroz, está em sua décima edição e identifica os parlamentares mais influentes a partir de informações qualitativas e quantitativas, com metodologia universalmente aceita pela ciência política, combinando critérios chamados de “institucionais, reputacionais e decisionais”. A partir deles, são mapeados os 100 mais influentes, classificados nas categorias de articuladores, debatedores, formuladores, negociadores e formadores de opinião.
O mapa do poder no Congresso, do ponto de vista partidário, historicamente prestigia o principal partido da base de sustentação do governo e o principal partido de oposição.
O estudo demonstra que é a partir do segundo mandato que o político efetivamente está maduro para integrar a elite do Legislativo. É quando ele já conhece as instalações físicas do Congresso, domina o regimento e conhece os procedimentos e as pessoas no Legislativo. Os números da última edição do Diap apontam que dos 100 escolhidos, 17 estão em primeiro mandato, 29 em segundo, 25 em terceiro, 12 em quarto, dez em quinto, três em sexto, dois em sétimo, um em oitavo mandato e um em nono.
O levantamento identificou ainda que a elite do Congresso é formada por articuladores e debatedores, com 33 cada, seguido de formuladores, com 19, negociadores, com oito, e formadores de opinião, com sete. No levantamento da qualificação profissional, 62% dos parlamentares influentes são profissionais liberais.
O deputado federal José Aristodemo Pinotti (PFL) está entre “Os Cabeças do Congresso” classificado como “formulador”. É considerado um parlamentar de centro-esquerda, com posições avançadas nas áreas da saúde da mulher e da educação e também é destaque como debatedor e articulador. A experiência profissional e política ajuda: Pinotti é médico ginecologista e foi secretário de Saúde e de Educação do governo do Estado de São Paulo e reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Luciano Zica é classificado como excelente negociador. Segundo Marcos Verlaine, da Assessoria Parlamentar do Diap, Zica se destaca pela capacidade de viabilizar temas complicados por meio da negociação. “Ele pega propostas antagônicas e tem habilidade para negociar e chegar a um consenso”, explica.
O Diap foi fundado em 1983, para atuar junto aos poderes da República, em especial ao Congresso, com o propósito de dar caráter institucional às reivindicações do movimento sindical.
A série “Os Cabeças do Congresso” pretende fornecer ao movimento social organizado uma radiografia dos principais interlocutores, publicando um perfil com o resumo das principais habilidades dos parlamentares. São entendidos como deputados ou senadores hábeis, experientes ou especializados.
Os outros cinco deputados federais eleitos pela RMC ficaram fora da lista dos 100 do Diap. São eles Carlos Sampaio (PSDB), Hélio de Oliveira Santos (PDT), Neuton Lima (PFL), Salvador Zimbaldi Filho (PTB) e Wanderval Santos (PL). O Congresso Nacional é formado por 513 deputados federais e 81 senadores. A lista está na Internet: www.diap.org.br/cabecas/cabecas.asp