Ano 1- Nº 5 - Campinas, Segunda-feira, 26 de abril de 2004

Menos poluição, mais negócios
MARIO TONOCCI


Blumrich, da Umicore: “Somos os únicos a desenvolver esse projeto”
ALLISSON ROBERTO
A partir de 1º de janeiro de 2005, todas as motos que saírem das fábricas brasileiras terão de estar equipadas com catalisador, o equipamento que garante a redução na emissão dos gases tóxicos produzidos pelo motor. A Umicore Brasil – empresa que desenvolve catalisadores para motos - vislumbrou nessa exigência uma oportunidade de negócio para acelerar seu faturamento. Nos próximos meses, o Centro Técnico de Emissões Veiculares da indústria, em Americana, deve concluir acordos com as duas maiores fabricantes de motocicletas brasileiras, a Honda e a Yamaha, para a implementação da primeira fase do Promot (Programa de Controle da Poluição por Motociclos e Veículos Similares), criado pelo Governo Federal.

O gerente de Tecnologia de Aplicação Industrial da empresa, Stephan Blumrich, não revela o valor do investimento para o desenvolvimento de pesquisas para adaptar aos veículos nacionais um catalisador para cada modelo de motocicleta. Diz apenas que, de acordo com o tipo da moto – a quantidade de cilindradas, o consumo de combustível ou potência - é aplicada verba que varia de R$ 20 mil a R$ 200 mil. No Brasil, a Honda tem 17 modelos na linha de produção e detém 85% do mercado. Em seguida, de acordo com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), vem a Yamaha, com nove modelos, a Kasinski, com sete, e a Sundown, com cinco.

A Umicore, que já detém 60% do mercado brasileiro de catalisadores para automóveis, considera que ainda está sozinha na construção de aparelhos para motos. “Até o momento, pelas informações que temos, somos os únicos que estamos desenvolvendo esse projeto”, disse Blumrich.

A empresa tem motivos para investir. De acordo com a Abraciclo, em fevereiro – mês atípico para as vendas de motos – o volume de negócios foi 11,8% menor em relação a janeiro. Como venderam menos, as montadoras desaceleraram a produção, seguindo a tendência do consumidor. Uma pesquisa realizada pela Abraciclo mostrou que foram montadas em fevereiro 68.217 unidades contra 82.764 em janeiro. Para o presidente da Associação, Yuji Horie, entretanto, as vendas no setor devem entrar em recuperação. A meta de comercializar 940 mil motocicletas no mercado interno e 110 mil para exportação deve ser mantida. As exportações, segundo a Abraciclo, mantêm tendência de alta quando comparadas às vendas de fevereiro de 2003 e 2004.

O Programa de Controle da Poluição estabelece o limite de emissão de poluentes em 5,5 g/km para monóxido de carbono (CO); 1,2 g/km em motos com menos de 150 cilindradas, 1,0 g/km para veículos com mais de 150 cilindradas para hidrocarbonetos não queimados e 0,3 g/km para óxidos de nitrogênio. Já para uma segunda fase, em 2009, as emissões de todos os elementos poluentes terão que ser reduzidas a praticamente à metade.



Publicado em 26 de abril de 2004







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