![]() Publicado em 19 de abril de 2004De volta ao trabalhoMarcos GarciaDE VOLTA AO TRABALHO A economia tem dessas coisas. Quando parece que tudo vai mal, algo indica que ainda há esperanças. Nos últimos dias, a boa notícia veio da indústria automobilística, que, depois de fechar quase sete mil postos de trabalho desde 2000, anuncia agora que está reiniciando as contratações. Por enquanto, as novas vagas ainda se contam às centenas, poucas para compensar as milhares perdidas, mas é um alento. REAÇÃO EM CADEIA A explicação para as novas contratações é o aumento da demanda por caminhões, máquinas agrícolas e também das exportações. Com isso, surgem novas vagas nas indústrias de autopeças e de outros produtos e serviços utilizados pelas montadoras. Só no ABC, as fábricas de autopeças já contrataram 900 trabalhadores nos primeiros dois meses do ano. É uma gota d’água no oceano do desemprego, diriam os pessimistas. É um sinal de que as coisas estão começando a andar, imaginam os otimistas. CONFIANÇA NO FUTURO Embora cautelosos, os empresários paulistas se alinham com os otimistas. Pesquisa da Fiesp mostra que, em março, dos 72 setores avaliados, 89% continuavam dispostos a fazer novos investimentos ao longo do ano, certos da melhora das vendas. Na pesquisa anterior, de dezembro de 2003, esse índice era pouco menor, 85%. CRESCIMENTO RÁPIDO Como a renda dos consumidores continua num dos pontos mais baixos dos últimos anos e os juros permanecem na estratosfera, as expectativas otimistas se baseiam, em sua maioria, no desempenho das exportações. Nos dois primeiros meses do ano, as vendas ao exterior cresceram 17,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. É um número impressionante, que não deve se repetir nos próximos meses, mas indica um grande potencial de crescimento nessa área. FACA DE DOIS GUMES Um aspecto interessante desse crescimento das exportações, que devem superar as expectativas e ficar acima dos US$ 80 bilhões inicialmente estimados, é que ele vem ocorrendo com o dólar relativamente estável, em patamares inferiores aos de 2003. É uma boa notícia no que se refere à inflação e pode ter reflexos positivos nos juros, pois sem pressão inflacionária não haverá necessidade de manter as taxas em níveis tão elevados como os atuais. AMEAÇA NO AR Porém, há uma nuvem no horizonte. Puxados pelo aumento da demanda na China, os preços de matérias-primas e insumos sobem rapidamente no mercado internacional. O reflexo disso no cenário interno já começa a preocupar. A CSN, por exemplo, já anunciou que pretende igualar os preços internos do aço que produz aos valores praticados no exterior. Para a indústria automobilística, isso significa preços maiores internamente e menos vantagens competitivas na exportação. CAMINHO SEM VOLTA Outra ameaça vem do mercado internacional do petróleo. A cotação do produto continua subindo, no mesmo ritmo em que o total de reservas conhecidas vai diminuindo. Esse é um caminho sem volta. Hoje o barril de petróleo está custando cerca de US$ 40 no mercado internacional, mas já há estimativas de que chegará a US$ 100 em poucos anos. AUMENTO ADIADO Nesse cenário, de pouco adiantam esforços como o da Petrobras, que já anunciou que não pretende alterar seus preços tão cedo. Trata-se de uma contribuição para a estabilidade econômica num ano eleitoral. Cedo ou tarde, porém, a realidade se imporá e os preços subirão também por aqui. A SAÍDA CORRETA Diante disso, a verdadeira saída pode estar em iniciativas como a da Unicamp, que este mês iniciou pesquisas com uma célula a combustível, a grande esperança de cientistas de todo o mundo para tornar o hidrogênio viável como fonte de energia para veículos automotores. Barato, renovável e não poluente, esse combustível pode provocar uma revolução econômica e social em nível mundial.
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