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Desenvolvimento das nações pobres, democratização e globalização Apesar do crescimento do comércio internacional e da difusão dos meios de comunicação entre boa parte da população do mundo, a globalização é vista como prejudicial aos países pobres. “As nações mais ricas continuam a se relacionar muito mais pelo princípio da rivalidade do que pelo princípio ético da solidariedade”, avaliou Luis Carlos Bresser Pereira, da Fundação Getúlio Vargas-SP. Ele palestrou durante a mesa redonda “Globalizando a democracia – buscando a democracia para todos”, durante encontro que inaugurou o Capítulo Brasileiro do Clube de Roma, segunda-feira, 29 de agosto, na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Para Bresser, a superação do subdesenvolvimento só será possível quando esses povos construírem um Estado-Nação forte, com capacidade e legitimidade, traçando, eles próprios, suas estratégias de crescimento. “A dívida externa (acumulada pelos países pobres) fez com que os Estados Unidos conduzissem, através do FMI e do Banco Mundial, os países em desenvolvimento à realização de reformas e políticas que reduziram drasticamente a taxa de crescimento e acabaram enfraquecendo a política e o Estado”, disse. Sob um pressuposto falso de que a globalização levaria a um mundo sem fronteiras, a mensagem dominante era, segundo ele, a de que tudo seria alcançado por meio do mercado e da obediência aos mandamentos do Norte (nações ricas).
Diagnósticos
Utilizando o exemplo da meta de inflação existente no Brasil, Roberto da Costa, diretor financeiro do BNDES, participante da mesa redonda, afirmou que é necessário instaurar-se uma política econômica diferente. “Temos que valorizar a produção e não a especulação financeira alimentada pelas altíssimas taxas de juros”. Se atualmente a escalada dos preços vem sendo controlada com a manutenção da taxa Selic em 19,75% ao ano, ao mesmo tempo gera-se um cenário de contenção dos investimentos e atração do capital especulativo. Segundo Costa, a equipe econômica do governo precisa começar a ouvir outras opiniões para permitir que o País cresça aquilo que é possível e não apenas o que é permitido. Na opinião de Eda Coutinho, diretora do IESB, o caminho para o crescimento dos subdesenvolvidos é, sem dúvidas, a educação. Concordando com a necessidade de fortalecimento dos Estados-Nação, ela disse que o grande desafio é fazer com que os países ricos e pobres trabalhem em harmonia. “Apesar das profundas mudanças que a sociedade vem vivendo não temos melhorado as relações entre os países”. De acordo com Celso Lafer, ex-chanceler do Brasil, o bom relacionamento entre os povos só será alcançado quando se encerrar a dicotomia Norte-Sul. Além disso, ele acredita que com o unilateralismo norte-americano, torna-se difícil a construção de um sistema internacional alternativo. Cidadania José Serra, prefeito de São Paulo e que abriu o evento, enxerga na globalização desafios que vão além da questão econômica. “A noção de cidadania engloba direitos individuais, direitos sociais e direitos políticos, mas nenhuma dessas dimensões é vigente no mundo atual, apesar da globalização”, disse, citando como exemplo o fato de somente o norte-americano votar no presidente dos EUA, embora este seja um cargo que influencie diretamente toda a humanidade. (Fernanda Cunha - Agência Indusnet Fiesp) Democratizando a Globalização Como democratizar os benefícios trazidos pela globalização e como fazer com que esse processo atenda às necessidades de todos no mundo. Foram os esses desafios tratados por analistas e políticos que participaram da mesa redonda intitulada “Democratizando a Globalização”. O ex-secretário-geral da Unctad, Rubens Ricupero, lembrou que mais de 2 bilhões de pessoas no mundo vivem com menos de US$ 2 por dia e afirmou que para que a globalização permita “convergência e não divergência” é preciso ajuda externa, principalmente das potências mundiais. O problema, segundo ele, é que os Estados Unidos, em particular, “nunca aceitaram” a proposta de que os países ricos doassem 0,7 % de sua renda e isso compromete o ideal de solidariedade entre as nações. Ele mencionou ainda que mais de 2 bilhões de pessoas ganham menos que US$ 2 por dia em todo o mundo. Na África, apenas 50 mil dos 4 milhões de infectados pelo vírus HIV recebem tratamento contra a Aids. O diretor titular do Derex, da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca citou que um terço da humanidade vive atualmente sem direito de liberdade de expressão e citou a importância dos serviços públicos, oportunidades profissionais e o que chamou de “auto-estima coletiva” para as pessoas alcancem felicidade. Ao falar especificamente da globalização, disse que o perigo é que esse processo “sirva como instrumento de poder hegemônico de países desenvolvidos para imporem seus padrões sobre os países em desenvolvimento”. Para ele, não se pode esperar que o processo de globalização leve a todos os países viverem de acordo com os padrões de consumo como objetivo final para se atingir a “felicidade”. Além de Giannetti e Ricupero, o senador Cristovam Buarque, o secretário municipal de Educação, José Aristodemo Pinotti, Paulo Gomes, da Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro e Célio Cunha, da Unesco também participaram do painel. (Marcos de Moura e Souza, para agência Indusnet/Fiesp)
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