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Matéria publicada em 01 de março de 2006


Na mão dos bancos

"O que explica a falta de crescimento do Brasil, em grande parte, é a sanha dos bancos. Fala-se sempre na taxa básica de juros, a Selic, mas ela é irrelevante quando se toma o juro real, o juro praticado que é quatro ou cinco vezes maior. Isso não ocorre em nenhum outro lugar do mundo. Na verdade, a taxa Selic prejudica o País, porque é a taxa que o governo paga sobre os títulos que emite (em mais de 50% deles), mas, na realidade, ela não influencia muito a taxa de juro real, de mercado. Na semana passada, os juros reais chegaram a subir, enquanto a tendência da Selic é de queda. Os bancos têm o controle desses números. Lula tem medo, FHC morria de medo e, provavelmente, o próximo presidente terá medo dos banqueiros. O povo sofre na mão dos banqueiros e nada os ameaça. Alguém é contra a taxação de lucros extraordinários? Algum político já a propôs? Nenhum. Até o Supremo Tribunal Federal (STF) parece contaminado e reluta (o processo está engavetado desde 2002) em assegurar o direito de os clientes dos bancos reclamarem como consumidores sobre os serviços bancários. Alguém imagina que, se os bancos na China, na Índia ou na Argentina agissem com a desenvoltura que agem no Brasil, esses países estariam crescendo?".

Antonio do Vale

adevale@gmail.com

São Paulo, SP.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 1/3/2006.



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